Um dos princípios para qualquer hermenêutica é avaliar o texto no contexto. O mesmo vale para a “cultura da fraternidade”, com a qual a Editora Cidade Nova deseja contribuir em suas publicações.
Num sentido, essa “cultura da fraternidade” pode ser considerada em sua continuidade histórica. Ou seja, ela se assenta numa tradição – especialmente a tradição ocidental cristã. Chiara Lubich chamava a essa tradição de “sapata” (”zoccolo“). E boa parte do trabalho da Escola Abbá (grupo de estudos que, com Chiara, estudava – e continua estudando – os desdobramentos culturais do Carisma da Unidade) é voltado a fazer o link do pensamento dela com a tradição histórica (especialmente na teologia, na filosofica, nas ciências humanas, embora não apenas elas).
Em outro sentido, a “cultura da fraternidade” pode ser considerada no contexto da cultural atual. Ou seja, como essa “cultura da fraternidade” dialoga com a variedade cultural hodiena, com as diversidades que se apresentam, todas efeixadas sob o manto da “pós-modernidade”.
Com o lançamento, em 2009, de Desfazer o desenvolvimento para refazer o mundo (Autores Vários) e, recentemente, de Muhammad Yunus, o banqueiro dos pobres (Peter Spiegel), dando início à coleção Em questão, a Editora Cidade Nova planeja oferecer a seus leitores instrumentos para debaterem o mundo atual, suas demandas históricas, culturais, sociais.
A idéia da coleção é que ela forneça instrumentos para aquelas pessoas que, de alguma forma, estão interessadas e/ou se sentem envolvidas com os rumos de nosso mundo. Portanto, não necessariamente intelectuais, acadêmicos. Mas cidadãos, líderes, formadores de opinião, enfim, “construtores da sociedade”.
Alguém poderá perceber na proposta da coleção a primeira etapa da metodologia “ver-julgar-agir”, que marca a atuação social da Igreja Católica. E o “ver” pode ser feito com um instrumental variado, apontando para perspectivas com que talvez o leitor não concorde, que talvez sejam mesmo polêmicas. Tais análises têm, contudo, o mérito de levantar questões, provocar reflexões, convocar o leitor a se posicionar…
Os próximos dois títulos, já contratados, são traduções de um selo da editora francesa Seuil, La Republique des Idees: As multinacionais do coração,(Thierry Pech e Marc-Olivier Padis) - que discute a atuação e contradições de ONGs internacionais, como o Greenpeace, Médicos sem Fronteiras e outras - e Condições e oportunidades (François Dubet) – que discute a questão da igualdade, ou seja, igualdade de condições vs igualdade de oportunidades (dois “caminhos” que as sociedades atuais perseguem, alternativamente, para superar as desigualdades sociais; ambos os títulos são provisórios).
O que você acha da proposta da coleção? Que temas considera pertinentes serem publicados?